Inteligência emocional: aprenda como trabalhá-la da melhor forma

Seja no trabalho, seja dentro do círculo social, praticamente todos conhecem alguma pessoa que parece ser mestre de suas próprias emoções. Ela não se altera diante de uma experiência desagradável, é gentil com todos, sabe lidar com críticas de forma positiva e mantém a calma em qualquer situação.

Talvez você pense que essa é uma pessoa tranquila, que provavelmente já nasceu assim ou utiliza algum método para lidar com a ansiedade do dia a dia, certo? A verdade é que esse alguém tem um alto nível de um tipo de inteligência que não se aprende na escola.

Ficou curioso? Neste post, você vai descobrir o que é a inteligência emocional e aprender como incorporá-la na sua personalidade

O que é inteligência emocional?

Todos nós temos diferentes desejos, vocações, vontades, necessidades, visões de mundo e maneiras de expressar o que sentimos. Com tantas particularidades, é fácil se manter estável quando tudo vai bem no trabalho e vida pessoal, mas como se manter equilibrado nos momentos de pressão, estresse ou conflitos com outras pessoas?

A inteligência emocional nada mais é do que a habilidade de reconhecer e administrar as próprias emoções, incluindo também a compreensão do impacto dos sentimentos de outros em sua vida.

Com essa percepção empática da realidade, é possível construir relacionamentos harmoniosos, lidar com conflitos de forma positiva e manter a estabilidade emocional até em momentos difíceis.

Além disso, as pessoas que possuem inteligência emocional costumam ser mais autoconfiantes, persistentes e compreensivas, com forte capacidade de motivação e liderança. Não é à toa que muitas delas costumam ter mais chances de serem bem-sucedidas na vida profissional.

Ao contrário do que muita gente pensa, esse tipo de inteligência não é uma característica nata do ser humano. Ela pode (e deve) ser aprendida por meio do autoconhecimento, reflexão, consciência e prática. Qualquer pessoa pode se tornar emocionalmente inteligente com um pouco de esforço e força de vontade.

Isso acontece porque, diferente do QI (quociente de inteligência geral), o nível de inteligência emocional é altamente maleável. À medida que o cérebro é “treinado”, praticando repetidamente novos comportamentos emocionalmente inteligentes, os neurônios constroem os caminhos necessários para transformá-los em hábitos.

Em pouco tempo, a pessoa começa a responder aos estímulos externos com o uso da inteligência emocional sem sequer ter que pensar sobre isso. Conforme o cérebro reforça o uso de novos comportamentos, as conexões que suportam os antigos hábitos destrutivos tendem a desaparecer.

10 sinais que demonstram que você possui inteligência emocional

Se você quer saber se possui um bom nível de inteligência emocional ou deseja trabalhar esse aspecto da sua vida para se tornar uma pessoa melhor em todos os sentidos, confira estas características apresentadas por pessoas emocionalmente inteligentes:

1. Equilíbrio entre a obrigação e a diversão

Trabalhar durante 24 horas por dia, 7 dias por semana e não cuidar de si mesmo pode aumentar o seu nível de estresse desnecessário e a incidência de problemas de saúde.

Por isso, as pessoas emocionalmente inteligentes sabem quais são suas prioridades e valorizam o tempo que precisam se desconectar para aproveitar a família, se divertir, fazer passeios e o mais importante: respeitar o próprio ritmo.

2. Autoconhecimento

As pessoas emocionalmente inteligentes não apenas conhecem e aceitam seus pontos fortes e fracos, mas também sabem como aproveitá-los bem em cada tipo de situação.

Além disso, elas reconhecem e avaliam cada emoção que estão sentindo em vez de simplesmente ignorá-las. Elas também têm facilidade em identificar a origem de cada estado emocional, de forma que, se ela se sente feliz ou chateada, sabe exatamente o porquê.

3. Facilidade para lidar com críticas

Quando uma pessoa sabe muito bem o que ela é e o que não é, ofendê-la pode ser uma tarefa difícil.

Quem possui um bom nível de inteligência emocional geralmente é autoconfiante e de mente aberta, o que faz com que as críticas sejam recebidas de modo positivo, sem levar nada para o lado pessoal.

Estas pessoas sabem que, quando a reclamação faz sentido, pode servir como um bom impulso para melhorar a sua personalidade e conviver de forma pacífica com as outras pessoas.

4. Gosto pela mudança

Em vez de evitar ou temer as mudanças, a pessoa emocionalmente inteligente se preocupa mais com a sua própria flexibilidade e adaptação, ciente de que as transformações ou altos e baixos da vida são inevitáveis.

Além disso, elas também sabem que ter medo de mudar pode ser um grande empecilho para o sucesso. Sendo assim, o melhor é sempre ter um plano B para se adaptar, caso as expectativas não se concretizem como o planejado.

5. Automotivação

As pessoas com um alto grau de inteligência emocional não precisam de ninguém para manter sua motivação em alta, já que estão dispostas a fazer o que for preciso para alcançar o sucesso, ainda que a longo prazo.

Consequentemente, elas também são muito produtivas, adoram um desafio e costumam se dedicar de corpo e alma em tudo que decidem fazer.

6. Tranquilidade com relação ao passado e futuro

Quem desenvolve a sua inteligência emocional não tem tempo para guardar rancor ou se arrepender de situações que já aconteceram. Elas entendem que remoer o passado é inútil, e por isso focam no momento presente para construir um futuro promissor.

E por falar em futuro, as pessoas emocionalmente inteligentes também não se sentem obcecadas ou ansiosas por condições que estão fora de seu controle. Afinal, toda preocupação desnecessária só serve para dificultar seu progresso.

7. Empatia

A capacidade de reconhecer os sentimentos dos outros e saber se colocar no lugar deles é um dos elementos mais importantes da inteligência emocional, sendo também fundamentais para o sucesso em sua vida pessoal e profissional.

As pessoas emocionalmente inteligentes conseguem ler as emoções de outros como um livro. São mestres da linguagem corporal, boas ouvintes e atenciosas com as necessidades alheias. Quem não se sente bem ao lado de um amigo com essas qualidades?

8. Vontade de ajudar

O indivíduo emocionalmente inteligente está sempre procurando melhorar sua personalidade moral. Não importa se sua natureza é extrovertida ou introvertida, ele é curioso sobre as pessoas à sua volta e procura ser cuidadoso, prestativo e cortês ao interagir com elas.

Independentemente do que aconteceu no passado, se você se considera uma pessoa que se importa em fortalecer esse lado ético de si mesmo, pode possuir um alto índice de inteligência emocional.

9. Assertividade

Pessoas com inteligência emocional elevada sabem equilibrar boas maneiras, empatia e bondade com a habilidade de criar e fortalecer laços com outras pessoas. Essa combinação é ideal para administrar conflitos e resolver problemas.

Quando a maioria das pessoas é provocada, pode apresentar um comportamento defensivo ou instável. No entanto, os indivíduos emocionalmente inteligentes permanecem equilibrados e assertivos, afastando-se de reações impulsivas ou não filtradas. Isso permite que eles neutralizem pessoas tóxicas com facilidade, sem criar inimigos.

10. Capacidade de dizer “não”

Ter inteligência emocional é sinônimo de saber como exercer a autorregulação, ou seja: a capacidade de se disciplinar e evitar o esforço inútil de tentar agradar a todos.

Dizer “não” pode realmente um grande desafio para muita gente, principalmente quando quem espera o “sim” é o chefe ou algum importante colega de trabalho. Nessas horas, as pessoas emocionalmente inteligentes sabem que negar uma nova tarefa é uma forma de honrar seus compromissos existentes, para que estes possam ser cumpridos com sucesso no prazo estipulado.

5 dicas para você aprimorar sua inteligência emocional

Independentemente de ter ou não uma boa inteligência emocional, é sempre possível melhorar. Para isso, talvez você não tenha condições de arcar com a ajuda de um life coach ou um terapeuta especializado, mas a boa notícia e que você mesmo pode ser seu próprio guia nesse processo.

No entanto, adquirir a capacidade de ser protagonista das suas próprias emoções não é fácil, principalmente no início. Antes que você se desespere, saiba que existem algumas práticas que podem te auxiliar nessa missão:

1. Observe os seus próprios sentimentos

Em um dia a dia corrido, no qual os processos de apressar-se de um compromisso para o próximo, cumprir prazos e responder diversas demandas fazem parte da rotina, é comum perder o contato direto com nossos sentimentos. Quando isso acontece, somos muito mais propensos a agir inconscientemente e perder as informações valiosas que nossas emoções carregam.

Lembre-se: sempre que manifestamos alguma reação emocional diante de qualquer coisa, estamos recebendo informações privilegiadas sobre nós mesmos diante de uma situação particular, pessoa ou evento.

Este sentimento que experimentamos pode ser devido às particularidades da situação atual, ou o que ela faz te lembrar por meio de pensamentos ainda não processados. Uma pessoa que perde um parente querido em um acidente de moto, por exemplo, pode associar este veículo impulsivamente com uma sensação ruim.

Quando prestamos atenção e procuramos entender o modo como sentimos, aprendemos a confiar em nossas emoções e nos tornamos muito mais habilidosos e racionais ao gerenciá-las.

Se você se sentir fora de prática, experimente o seguinte exercício:

Defina um alarme para tocar diante determinados horários durante o dia. Quando o temporizador disparar, faça algumas respirações profundas e anote como você está se sentindo emocionalmente.

Procure notar se essa emoção se manifesta como um sentimento físico em seu corpo, como é a sua sensação geral e por que você a experimenta daquela forma. Quanto mais você pode praticar isso, maior será a sua consciência corporal.

2. Analise o seu comportamento

Enquanto você estiver refletindo sobre seus sentimentos (conforme aprendeu no tópico anterior), aproveite para prestar atenção também no seu comportamento.

Isso significa observar como você costuma agir quando experimenta certas emoções e como isso afeta sua vida cotidiana. O impacto na sua comunicação com os outros, sua produtividade ou o seu senso geral de bem-estar é positivo ou não?

Uma vez que nos tornamos mais conscientes de como estamos reagindo às nossas emoções, fica mais difícil de começar a colocar rótulos no seu comportamento e também nas ações de outros. Essa ausência de julgamentos também te ajuda a ser mais honesto consigo mesmo e entender as atitudes de pessoas que te desagradam.

3. Assuma a responsabilidade por suas ações

Além de conhecer bem seus próprios sentimentos e comportamento, é importante ter em mente de que eles são só seus, ou seja: vêm de você e ninguém mais. Sendo assim, você é o único responsável por ambos.

Isso quer dizer que, se você se sente ofendido em virtude de alguma atitude ou acusação de outros (ainda que injusta), apenas você é responsável por essa mágoa. Ninguém possui a capacidade de te atingir sem a sua permissão, porque não há outra pessoa capaz de administrar suas emoções além de si mesmo.

Parece incrível, mas depois de começar a aceitar a responsabilidade pela forma como se sente e como se comporta, você verá que é possível se dar conta de que o modo como você reage e encara as ações de outros não é nada mais do que uma escolha sua.

Por isso, aja como um filtro, e não como uma esponja diante das ações alheias. Essa simples percepção pode te dar mais controle emocional e gerar um impacto positivo em todas as áreas da sua vida.

4. Procure responder em vez de reagir

Existe uma diferença sutil, porém importante, entre os significados das palavras “responder” e “reagir”.

Reagir é um processo inconsciente, no qual experimentamos um gatilho emocional e nos comportamos com o objetivo de expressar (ou aliviar) essa emoção. Um exemplo é se irritar instantaneamente com uma pessoa que acabou de te interromper.

Responder, por outro lado, é um processo mais complexo e consciente, que consiste em perceber como se sente e entender o que a causa de suas emoções, para depois poder decidir como você deseja se comportar. Um exemplo desse tipo de comportamento é abordar a pessoa que te interrompeu de forma cordial e gentil, explicando como se sente e porque aquele não é um bom momento para interrupções.

5. Pratique a empatia

Agora que você aprendeu a não julgar suas próprias emoções tão rápido, que tal adotar essa mesma prática com os sentimentos alheios?

Todas as pessoas possuem defeitos e virtudes, então por que não tirar sempre o melhor delas? Com uma mente aberta em relação ao próximo, é possível compreendê-lo e admirá-lo com mais facilidade. Mas para isso, é preciso saber se comunicar.

Ao contrário do que você pensa, ser um bom comunicador é muito mais do que saber atrair o interesse de seu ouvinte e possuir boas habilidades verbais. O mais importante nesse processo é saber ouvir e observar. Estudar o modo como os outros se expressam pode dar dicas valiosas sobre como se relacionar com eles.

Por isso, é preciso libertar a mente de distrações e preconceitos quando alguém te procurar para conversar sobre qualquer coisa. Chame as pessoas pelo nome, demonstre interesse em conhecê-las melhor e fique atento aos sinais não-verbais que elas enviarem. O foco aqui é buscar construir uma conexão de confiança com todos que quiserem interagir com você.

Ao colocar essas dicas em prática, lembre-se que o desenvolvimento de sua inteligência emocional é uma tarefa para a vida inteira, e não uma habilidade que você simplesmente aprende a passa a dominar por completo. Não importa qual é o seu nível, sempre é possível melhorar.

Como utilizar sua inteligência da melhor forma possível na sua vida

Você pode (e deve) fazer uso da sua inteligência emocional no dia a dia para se relacionar com seus familiares, ajustar suas atitudes perante as emoções alheias, adquirir mais influência profissional e lidar com diversos tipos de situações diferentes, tanto no trabalho quanto em casa.

Embora não exista uma receita de bolo para aplicá-la da melhor maneira possível na sua rotina, alguns conceitos devem ser mantidos sempre em mente para que você lide com emoções de forma correta e saudável. Alguns deles são:

Equilibrar o falar e o escutar

Ninguém gosta de ouvir qualquer pessoa que fala apenas sobre si mesmo durante muito tempo, certo? Se quiser dialogar com alguém, é preciso que haja um certo equilíbrio entre as duas vozes. Mas para facilitar ainda mais a comunicação, nada melhor do que unir as opiniões dos dois lados e buscar soluções interessantes para ambos.

Ao focar mais no coletivo, o seu interlocutor se sente parte importante de suas colocações, o que pode aumentar seu foco no assunto que você aborda e até mesmo fortalecer os laços criados entre vocês dois.

Não economizar reconhecimentos

Um dos momentos mais complicados do nosso dia a dia com certeza aparece quando precisamos fazer críticas ou comentários desagradáveis para outros.

Seja no trabalho, seja em casa, algumas tarefas simples podem render muitos constrangimentos ou mágoas, como avisar a um amigo que a colônia que ele usou está muito forte, deixar um colega saber que seu trabalho não ficou bom ou ter que dar sua opinião sobre algo que você desaprova.

Uma boa estratégia nestas horas consiste em “maquiar” a sua crítica com o reconhecimento que você possui por aquela pessoa. Ainda que ela seja alguém que você não gosta, todos nós temos qualidades, e não é difícil encontrá-las ao procurar conhecer melhor quem convive com você.

Sendo assim, antes de dizer algo que você sabe que a pessoa não vá gostar, faça um elogio. Depois, faça uma crítica construtiva de forma respeitosa e finalize com outro elogio. Um exemplo é dizer que gosta muito do perfume que seu amigo usa, e que se a quantidade que ele usasse fosse menor, o aroma poderia ser ainda mais valorizado e agradável.

Desse modo, a pessoa saberá que precisa melhorar, mas também se sentirá feliz por ter suas virtudes reconhecidas.

Valorizar as diferenças

Se há uma coisa que você precisa entender para compreender melhor os seus sentimentos e os dos outros, é que nenhuma pessoa é igual a outra e não há nada de errado nisso. A autenticidade de cada um precisa ser reconhecida se você quer se comunicar de forma emocionalmente inteligente.

Por isso, as particularidades de cada um devem ser percebidas como um mosaico de grandes habilidades e oportunidades diferentes, seja na família ou no trabalho. São essas diferenças que alimentam a forma única e inovadora de pensar de cada um.

Empoderar outros

Além de saber valorizar as pessoas à sua volta, também é essencial que você saiba fazê-las se sentir que são significantes. Para isso, descubra o que as inspira e utilize esta estratégia para motivá-las.

Não se esqueça de manifestar sua atenção e preocupação com seus amigos, parentes e colegas em forma de atitudes, palavras e gestos para que esse sentimento envolva todos os seus relacionamentos e seja predominante na sua vida.

Intensificar o foco

Quando você estiver na presença de outra pessoa, deixe o celular, computador, o trabalho e as distrações de lado. Volte toda a sua atenção para cada indivíduo com o qual você se comunica.

Posicione-se de frente para este alguém, observe a cor de seus olhos e veja como sua expressão facial muda de acordo com o assunto da conversa. Com isso, você estabelecerá um excelente contato visual e comunicará interesse pelo o que ele tem a dizer.

Ouça-o como se sua vida dependesse disso. Não o interrompa. Demonstre interesse sobre o que ele estiver dizendo fazendo pausas com perguntas relacionadas ao assunto e não mude o tópico imediatamente para falar de si mesmo. O foco nesse momento deve ser as necessidades do outro.

A sua competência para administrar relacionamentos está diretamente relacionada ao seu nível de empatia. Lembre-se que todas as emoções contém informação, e ignorá-las nem sempre é a escolha mais sensata.

Como você pode perceber, mostrar-se aberto para perceber seus próprios sentimentos (e de outros) é uma ótima forma de aprender com eles e elaborar estratégias para aprender a responder diversas situações e conflitos que aparecem no nosso dia a dia.

Sendo assim, é possível dizer que gerenciar suas emoções (em vez de se deixar ser gerenciado por elas) por meio do uso da inteligência emocional pode te trazer mais sucesso em todos os âmbitos da sua vida. Já imaginou uma nova rotina com mais resiliência e menos estresse? Agora você já sabe que é possível.

Se você gostou do post e está disposto a aplicar a inteligência emocional na sua vida, entre em contato conosco e descubra como podemos te ajudar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *